Foto apetitosa de canjiquinha mineira com costelinha em destaque, ilustrando a receita apresentada no blog Granuz

Canjiquinha Mineira com Costelinha: Cremosa de Fogão de Roça

Tempo de leitura: 8 minutos.

Canjiquinha é o milho quebrado grosso, a quirera, cozido lentamente até virar um creme rústico dourado, com costelinha suína dourada desmanchando no meio. É prato de fogão a lenha de Minas Gerais, de pousada de estrada real e de avó que mede ingrediente com a mão, e carrega aquele efeito raro: alimenta o corpo e conserta o dia. No inverno mineiro, canjiquinha não é opção de cardápio, é instituição.

A técnica pede duas atenções: lavar a quirera até a água sair clara, e mexer o cozimento como quem faz polenta, porque milho no fundo da panela tem vocação para grudar. O resto é costelinha bem corada e paciência de roça.

Receita completa (rende 6 porções)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de canjiquinha (quirera de milho), lavada em 3 ou 4 águas até clarear
  • 800 g de costelinha suína em pedaços
  • 1 cebola picada e 4 dentes de alho, ou 1 colher de sopa de alho em pó com cebola fresca
  • 1 colher de chá de colorífico (colorau)
  • 2 folhas de louro
  • Pimenta-do-reino e sal a gosto
  • Cheiro-verde e cebolinha para finalizar
  • Cerca de 6 xícaras de água quente (aos poucos)

Preparo:

  • 1. Tempere a costelinha com sal e pimenta e doure MUITO bem em panela grande com um fio de óleo, em levas, até as bordas caramelizarem. O caldo da canjiquinha nasce dessa crosta.
  • 2. Junte a cebola, o alho e o colorau, refogando e raspando o fundo dourado.
  • 3. Acrescente a canjiquinha lavada e escorrida, misture 1 minuto para envolver no refogado.
  • 4. Água quente até cobrir com 2 dedos de folga, louro, e fogo baixo com panela SEMITAMPADA por 40 a 50 minutos, mexendo a cada 5 e somando água quente aos poucos conforme o milho bebe.
  • 5. O ponto: grãos macios, creme espesso envolvendo tudo e a costelinha soltando do osso. Consistência de polenta cremosa, nunca de sopa.
  • 6. Acerte o sal no final, chuva generosa de cheiro-verde, e a panela vai ao centro da mesa.

A mesa mineira completa

Canjiquinha pede couve rasgada refogada no alho e, nos dias de festa, torresmo crocante por cima. Uma pimenta de mesa e arroz branco para quem não dispensa completam o ritual. Se a semana pede outro clássico de Minas, o frango com quiabo é o vizinho de fogão natural.

Variações de família

  • Com linguiça: metade costelinha, metade linguiça caçula em rodelas douradas. Mais defumado, mais festa.
  • Com frango: sobrecoxa em pedaços no lugar da costela, para a versão mais leve do dia a dia.
  • Com couve dentro: tirinhas de couve nos 5 minutos finais, no estilo de algumas cozinhas do sul de Minas.
  • Só de milho: sem carne, com caldo de legumes e um fio de manteiga no final. A quirera segura o prato com dignidade.

Os erros que grudam ou aguam a canjiquinha

  • Pular a lavagem: o excesso de amido solto vira cola e o creme fica pesado. Água clara é o sinal verde.
  • Mexida preguiçosa: milho é especialista em agarrar fundo. A cada 5 minutos, colher no fundo, sem exceção.
  • Costela pálida: sem o dourado profundo, a canjiquinha nasce sem alma. As levas valem o tempo.
  • Água toda de uma vez: cada quirera bebe diferente. Aos poucos, como risoto de roça.
  • Desligar cedo: grão al dente em canjiquinha é defeito, não estilo. Macio e cremoso é o destino.

Perguntas frequentes sobre canjiquinha

Canjiquinha e canjica são a mesma coisa? Não: a canjica é o milho branco inteiro do doce junino; a canjiquinha é o milho quebrado miúdo do prato salgado mineiro. Nomes primos, panelas diferentes.

Onde acho quirera? Em qualquer mercado, como canjiquinha, quirera ou milho para canjiquinha, perto dos fubás. É um dos grãos mais baratos da gôndola.

Precisa deixar de molho? Não precisa: a lavagem basta. Quem deixa 30 minutos de molho ganha uns minutos de cozimento, só isso.

Congela? Congela bem por 2 meses, e engrossa na volta: requente com água quente aos poucos até voltar ao cremoso.

Panela de pressão acelera? Acelera: 20 minutos de pressão com a costela já dourada. Abra, ajuste água e textura em fogo baixo por 10 minutos finais, mexendo. O sabor de panela lenta continua imbatível, mas a pressão salva terças-feiras.

Qual corte de costelinha pedir? Costelinha suína em ripas cortada em pedaços de 2 dedos, com osso. O osso é tempero estrutural do caldo.

Canjiquinha é o tipo de prato que não aparece em foto de rede social e desaparece primeiro da mesa. Faça num sábado frio, sirva na panela e observe: é o silêncio de colheres raspando que conta a avaliação final.

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