Foto apetitosa de samke harra em destaque, ilustrando a receita apresentada no blog Granuz

Samke Harra: O Peixe Picante Que Trípoli Serve em Travessa

Tempo de leitura: 7 minutos.

Em Trípoli, no norte do Líbano, o meio-dia perto do porto tem um anúncio próprio: uma travessa funda atravessa a cozinha rumo ao centro da mesa, carregando um peixe inteiro coberto por um manto cremoso de tahine, salpicado de nozes douradas e coentro fresco. É o samke harra — literalmente, "peixe picante" — o prato que a cidade escolhe para receber visita, celebrar um noivado ou coroar a mesa do Eid. Ninguém ganha prato individual: cada um avança com seu pedaço de pão sobre a travessa comum, porque o prato foi pensado exatamente para isso.

Nesta receita, você monta um samke harra completo com peixe de qualquer peixaria brasileira: o assado no ponto certo, o molho de tahine que não talha, a pimenta na medida de Trípoli e a finalização com nozes tostadas. Tudo em cerca de uma hora, com os truques para os dois momentos em que o prato costuma desandar.

Os ingredientes

  • 800 g de filés de peixe branco firme (robalo, pescada amarela ou tilápia) ou 1 peixe inteiro de 1,2 kg, limpo
  • 1 xícara (250 g) de tahine (pasta de gergelim — encontrada em empórios árabes e supermercados grandes)
  • 120 ml de suco de limão (3 a 4 limões taiti)
  • 180 ml de água gelada (aproximadamente)
  • 6 dentes de alho amassados
  • 1 xícara de coentro fresco picado (talos e folhas separados)
  • 1/2 xícara de nozes tostadas e picadas grosseiramente
  • 3 colheres (sopa) de azeite
  • 1 colher (chá) de pimenta calabresa em flocos
  • 1 colher (chá) de páprica picante
  • 1/2 colher (chá) de pimenta-do-reino em pó
  • Sal a gosto

O passo a passo

  1. Tempere o peixe. Seque bem os filés (ou o peixe inteiro, por dentro e por fora) com papel-toalha. Esfregue sal, a pimenta-do-reino e 1 colher (sopa) de azeite por toda a superfície. Peixe seco doura; peixe molhado cozinha no próprio vapor.
  2. Asse. Forno preaquecido a 200 °C: 15 a 18 minutos para filés, 30 a 35 para o peixe inteiro. Retire quando a carne estiver quase no ponto, ainda com o centro levemente translúcido — ele volta ao forno no final.
  3. Toste as nozes. Em frigideira seca, fogo médio, 3 a 4 minutos, mexendo sempre, até perfumarem e ganharem cor. Se quiser dominar essa etapa de vez, o guia de como tostar e picar castanhas sem desperdiçar o pacote vale a leitura.
  4. Faça a base aromática. Nas 2 colheres (sopa) de azeite restantes, em fogo baixo, refogue o alho até perfumar, sem dourar demais. Junte os talos de coentro picados, a calabresa e a páprica picante e mexa por 1 minuto. Desligue.
  5. Bata o molho de tahine. Em uma tigela, misture o tahine com o suco de limão. Ele vai engrossar e parecer que talhou — é o comportamento normal do gergelim. Acrescente a água gelada aos poucos, batendo com um fouet, até o creme clarear e ficar liso, na consistência de um iogurte grosso. Acerte o sal.
  6. Junte tudo. Misture a base aromática de alho e pimentas ao creme de tahine. Prove: o molho deve ter acidez clara, ardor presente e sal no ponto — ele é o protagonista do prato.
  7. Cubra e volte ao forno. Despeje o molho sobre o peixe na assadeira, cobrindo toda a superfície. Volte ao forno a 180 °C por 8 a 10 minutos, apenas até o molho encorpar nas bordas. Ele não pode ferver forte.
  8. Finalize e sirva. Espalhe as nozes tostadas, as folhas de coentro, um fio de azeite e uma pitada extra de calabresa. Leve a travessa inteira ao centro da mesa, com pão para acompanhar cada garfada.

Os 5 erros que talham o molho e ressecam o peixe

  • Usar água morna ou quente no tahine. O calor separa o óleo do gergelim e o creme vira uma pasta granulada. A água precisa estar gelada — é ela que deixa o molho claro e liso.
  • Desistir quando o tahine "endurece" com o limão. Essa fase espessa e opaca é etapa obrigatória do processo, não defeito. Continue acrescentando água gelada aos poucos e batendo: o creme abre e clareia.
  • Assar o peixe até o ponto final antes de cobrir. O prato volta ao forno com o molho. Quem asse por completo na primeira etapa entrega um peixe fibroso e seco na segunda.
  • Deixar o molho ferver forte no forno. Fervura vigorosa separa o óleo do tahine e mancha a superfície. O ponto certo é o molho apenas encorpado nas bordas, em forno a 180 °C.
  • Jogar as nozes cruas por cima. Sem tostar, elas ficam borrachudas e sem aroma. Três minutos de frigideira seca transformam a cobertura inteira.

Perguntas rápidas

O que é samke harra? Samke harra é um prato libanês típico de Trípoli: peixe assado, inteiro ou em filés, coberto por um molho cremoso de tahine com alho, coentro, limão e pimenta, finalizado com nozes tostadas. O nome significa "peixe picante" em árabe, e ele é servido em travessa, no centro da mesa.

Que peixe usar no Brasil? Qualquer peixe branco de carne firme: robalo e pescada amarela são as escolhas mais próximas do espírito original; tilápia funciona bem em versão de filé. Evite peixes muito delicados, que desmancham sob o peso do molho.

Qual limão usar no molho? O taiti, o mais comum no Brasil, entrega a acidez intensa que o tahine pede. O siciliano rende um molho mais perfumado e menos ácido — a diferença entre os dois está detalhada em limão taiti ou siciliano.

O molho de tahine talhou, e agora? Quase sempre ele não talhou: engrossou na fase normal da emulsão. Acrescente água gelada, 1 colher por vez, batendo com força, até abrir e clarear. Se o óleo se separou por calor, bata o molho fora do fogo com um cubo de gelo até reencorpar.

Samke harra é muito picante? "Harra" quer dizer picante, mas o ardor é seu: com 1 colher (chá) de calabresa o resultado é presente e equilibrado. Para uma versão suave, reduza à metade; para o estilo mais valente de Trípoli, dobre a calabresa e mantenha a páprica picante.

Sirvo quente ou em temperatura ambiente? Os dois modos são legítimos. Morno, recém-saído do forno, o molho está no auge da cremosidade; em temperatura ambiente, o samke harra entra na lógica da mesa de mezze, ao lado de pastas e pães.

Na travessa, o samke harra conversa com o resto da mesa árabe — um babaganoush defumado ao lado e pão em abundância fecham a cena de Trípoli na sua casa. E o ardor que dá nome ao prato sai direto do seu armário: a pimenta calabresa em flocos e a páprica picante da Granuz são a dupla que transforma um peixe assado comum no peixe picante que atravessou o Mediterrâneo.

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