Foto apetitosa de sajta de pollo em destaque, ilustrando a receita apresentada no blog Granuz

Sajta de Pollo: O Frango Amarelo que La Paz Coroa com Cebola Crua

Tempo de leitura: 8 minutos.

Em La Paz, a sajta chega à mesa em duas temperaturas. Embaixo, o frango fumegante, afogado num molho amarelo espesso, cor de sol de fim de tarde. Em cima, uma coroa fria de cebola roxa crua com tomate, que estala no garfo antes de o molho aparecer. O vapor sobe com cheiro de cominho e pimenta frita. Quem prova uma vez passa a procurar esse contraste em todo cozido que encontra.

Este guia entrega a sajta de pollo completa: o molho amarelo na versão original com ají amarillo e numa adaptação honesta para o mercado brasileiro, o ponto exato da batata e da ervilha, a sarza que coroa o prato e os cinco erros que derrubam tudo isso.

Os ingredientes

  • 8 sobrecoxas de frango com osso (cerca de 1,2 kg)
  • 3 colheres (sopa) de pasta de ají amarillo — ou a adaptação declarada no passo 1: 1 colher (sopa) de páprica picante + 1 colher (chá) de colorau + 2 pimentas dedo-de-moça sem sementes
  • 2 cebolas brancas picadas fino
  • 3 dentes de alho amassados
  • 1 colher (chá) de cominho em pó
  • 1 colher (chá) de orégano seco
  • 2 folhas de louro
  • 4 xícaras de caldo de frango
  • 4 batatas médias, descascadas e cortadas ao meio
  • 1 xícara de ervilha (congelada serve)
  • 3 colheres (sopa) de óleo
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Para a sarza: 1 cebola roxa em tiras bem finas, 1 tomate firme em tiras, suco de meio limão e sal
  • Arroz branco cozido, para servir

O passo a passo

  1. Monte a base amarela. Se você encontrou pasta de ají amarillo em empório latino ou loja online, meça 3 colheres de sopa e pule para o passo 2. Se não, bata a páprica picante, o colorau e as dedo-de-moça sem sementes com 3 colheres de sopa de água até formar uma pasta. Honestidade: o ají amarillo tem fruta e perfume próprios; a adaptação chega na cor e no ardor, não no aroma exato. É adaptação declarada, e funciona.
  2. Doure o frango. Tempere as sobrecoxas com sal e pimenta-do-reino. Aqueça o óleo numa panela larga e doure as peças em levas, 3 a 4 minutos por lado, sem mexer antes de soltarem do fundo. Reserve o frango; o dourado grudado na panela fica.
  3. Refogue a cebola na mesma panela. Baixe o fogo, entre com a cebola branca e raspe o fundo enquanto ela cozinha. Ela deve ficar transparente, com bordas douradas, sem queimar. Esse ponto tem técnica própria: está no nosso guia do refogado perfeito.
  4. Frite a base amarela. Junte o alho, o cominho e o orégano, mexa por 30 segundos, e então adicione a pasta do passo 1. Frite por 1 a 2 minutos, mexendo sempre. A pasta muda de cheiro na gordura: sai o cru, entra o profundo. Esse minuto decide o molho inteiro.
  5. Cozinhe no caldo. Volte o frango à panela com os sucos do prato, cubra com o caldo e junte as folhas de louro. Se puder, use caldo de frango caseiro: ele é a metade invisível deste molho. Fogo baixo, tampa entreaberta, 25 minutos.
  6. Entre com a batata. Acomode as metades de batata no molho e cozinhe por mais 20 minutos, até a faca entrar sem resistência. Ela cozinha ali dentro de propósito: vai absorvendo o amarelo e devolvendo amido ao molho.
  7. Finalize com a ervilha e o ponto do molho. Nos últimos 5 minutos, junte a ervilha. Destampe e deixe o molho reduzir até vestir a colher — ele deve escorrer devagar, não pingar.
  8. Monte a sarza e sirva. Passe a cebola roxa por água fria, escorra bem e misture com o tomate, o limão e o sal. No prato: arroz de um lado, batata do outro, o frango no centro com molho por cima e a sarza coroando tudo. Ela vai crua. Esse é o prato.

Os 5 erros que apagam a cor e o perfume da sajta

  • Jogar o tempero direto no líquido. Páprica e colorau sem fritura entregam cor pálida e gosto de pó cru. A pasta precisa fritar na gordura por 1 a 2 minutos, em fogo médio e mexendo — queimada, ela amarga e não tem volta.
  • Usar peito de frango. Quarenta e cinco minutos de fervura desmancham o peito em fiapos secos. Sobrecoxa e coxa com osso aguentam o cozimento inteiro, soltam sabor no caldo e chegam macias ao prato.
  • Cozinhar a cebola da sarza. A sarza existe pelo contraste: fria, crua e estalando sobre o cozido quente. Refogada, vira só mais cebola no molho. Água fria tira a agressividade do sabor e preserva o crocante.
  • Colocar a ervilha no início. Vinte minutos de panela transformam a ervilha verde em bolinha parda e murcha. Ela entra nos últimos 5 minutos, o suficiente para aquecer sem perder cor nem textura.
  • Servir o molho ralo. Sajta pede molho que cobre a colher e se segura no arroz. Se ao final ele estiver escorrido demais, destampe, suba um pouco o fogo e deixe reduzir — a batata cozinhando ali dentro já adiantou metade desse trabalho.

Perguntas rápidas

O que é sajta de pollo? É um prato clássico de La Paz, na Bolívia: frango cozido em molho picante de ají amarillo com cebola e ervilha, servido com batata e arroz. Por cima vai a sarza, uma salada crua de cebola roxa com tomate. A tradição conta que é presença certa em almoços de festa e domingos em família.

Que pimenta substitui o ají amarillo? Nenhuma substitui de verdade, e é honesto dizer isso: o ají tem perfume frutado próprio. A adaptação que mais se aproxima em cor e ardor é páprica picante com colorau e pimenta dedo-de-moça sem sementes. Se achar a pasta de ají pronta em empórios latinos ou online, use a original.

Sajta de pollo é muito picante? A tradicional tem ardor presente, mas não devastador. Na adaptação, você controla tudo: sem as dedo-de-moça e com metade da páprica picante, o molho fica no aroma e na cor, com ardor mínimo. Prove a pasta antes de fritar e ajuste.

O que é chuño e preciso dele para a sajta? Chuño é a batata desidratada dos Andes, acompanhamento tradicional da sajta na Bolívia. No Brasil ele praticamente não existe no varejo. A batata comum cozida no próprio molho é a adaptação natural — declarada, e deliciosa.

Qual parte do frango usar na sajta? Sobrecoxa e coxa com osso. Elas atravessam o cozimento longo sem ressecar e engrossam o molho durante a fervura. O peito desmancha e chega seco ao prato.

Posso fazer a sajta de véspera? O cozido, sim: de um dia para o outro o molho assenta e os sabores se misturam ainda mais. A sarza, nunca — cebola crua cortada de véspera perde o estalo. Monte a coroa na hora de servir.

No fim, a sajta é um jogo de cor e contraste: o molho amarelo que veste o frango e a coroa crua que estala por cima. Para chegar nesse amarelo profundo sem ají amarillo, a dupla que pinta e acende o molho é a Páprica Picante com o Colorau da Granuz — moídos finos, feitos para fritar na gordura e abrir aroma. La Paz fica longe; o cheiro dela, não.

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