Foto apetitosa de buñuelos bolivianos em destaque, ilustrando a receita apresentada no blog Granuz

Buñuelos Bolivianos: A Rosquinha Torta que Mergulha na Calda Escura

Tempo de leitura: 7 minutos.

Nas manhãs frias do altiplano, as bancas de rua da Bolívia repetem o mesmo gesto há gerações: a cozinheira molha as mãos, pega uma porção de massa levedada e a estica no ar até formar um disco irregular, com um furo no meio. A massa cai no óleo quente, borbulha, infla e ganha bordas douradas. Sai da panela e mergulha numa calda escura e perfumada de cravo e canela, ao lado de uma caneca fumegante de api, o mingau violeta de milho que acompanha o café da manhã andino.

Nesta receita, você aprende a massa levedada de fermentação única, o gesto de abrir o buñuelo com as mãos molhadas — sem rolo, sem cortador — e a calda inspirada na chancaca original, adaptada com rapadura, cravo e canela, já que a chancaca boliviana é rara no Brasil. No fim, a lista dos erros que encharcam a massa e as respostas para as dúvidas mais comuns.

Os ingredientes

  • 3 xícaras (360 g) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de açúcar
  • 1/2 colher (chá) de sal
  • 10 g de fermento biológico seco (1 sachê)
  • 1 xícara (240 ml) de leite morno
  • 2 ovos
  • 1 colher (chá) de sementes de erva-doce (opcional, presença comum nos buñuelos bolivianos)
  • Óleo vegetal para a fritura (cerca de 1 litro)
  • 200 g de rapadura picada ou 1 xícara (150 g) de açúcar mascavo (para a calda)
  • 1 xícara (240 ml) de água (para a calda)
  • 2 cravos-da-índia (para a calda)
  • 1 pau de canela ou 1/2 colher (chá) de canela em pó (para a calda)

O passo a passo

  1. Ative o fermento. Misture o leite morno (temperatura de banho, nunca quente demais), o açúcar e o fermento biológico numa tigela pequena. Espere 10 minutos, até formar uma espuma na superfície — se não espumar, o fermento perdeu a força e vale trocar antes de seguir.
  2. Sove a massa. Numa tigela grande, misture a farinha, o sal e a erva-doce. Abra um buraco no centro, junte os ovos e o fermento ativado e mexa até formar uma massa mole e pegajosa. Sove por 8 a 10 minutos, até ficar lisa e elástica. Ela deve ser mais úmida que uma massa de pão — resista à tentação de corrigir com farinha.
  3. Deixe crescer. Cubra a tigela com um pano e deixe descansar em lugar abafado por 1 hora a 1 hora e meia, até dobrar de volume.
  4. Prepare a calda. Enquanto a massa cresce, leve ao fogo baixo a rapadura, a água, os cravos e a canela. Mexa até dissolver e deixe ferver por 10 a 15 minutos, até encorpar de leve — o ponto certo cobre as costas de uma colher sem virar bala. Reserve. Na Bolívia, essa calda é feita com chancaca, um açúcar de cana em bloco difícil de achar por aqui; a rapadura é a adaptação mais próxima.
  5. Modele com as mãos molhadas. Molhe as mãos em água com um fio de óleo, pegue uma porção de massa do tamanho de uma bola de pingue-pongue e estique-a no ar, puxando as bordas até formar um disco fino e irregular. Fure o centro com o dedo. O formato torto é a assinatura do buñuelo — não procure a rosquinha perfeita.
  6. Frite em óleo bem quente. Aqueça o óleo a 180 °C (um pedacinho de massa deve borbulhar e subir na hora). Deslize o disco na panela e frite por cerca de 1 minuto de cada lado, até dourar e inflar bolhas na superfície. Vire uma única vez.
  7. Escorra. Retire com escumadeira e deixe escorrer sobre uma grade ou papel absorvente. Frite poucos por vez, para o óleo não esfriar.
  8. Banhe e sirva. Sirva os buñuelos ainda quentes, regados ou mergulhados na calda escura. Na Bolívia, a dupla clássica é com uma caneca de api — no Brasil, um café passado na hora completa a cena.

Os 5 erros que deixam o buñuelo pesado e encharcado

  • Óleo frio. Abaixo de 170 °C, a massa absorve óleo em vez de formar casca. Teste sempre com um pedacinho antes do primeiro buñuelo, seguindo o nosso guia de temperatura do óleo de fritura.
  • Apressar a fermentação. Sem a hora de descanso, a massa não cria as bolhas de ar e o resultado sai denso e borrachudo.
  • Farinha demais na sova. A massa do buñuelo é naturalmente mole e pegajosa; firmar com farinha até parar de grudar rouba a leveza da fritura.
  • Perseguir o formato perfeito. Abrir com rolo e cortar com aro deixa o disco uniforme e compacto demais. O esticar irregular das mãos é o que cria as bordas finas e crocantes.
  • Encher a panela. Muitos buñuelos de uma vez derrubam a temperatura do óleo, e todos saem pálidos e ensopados.

Perguntas rápidas

O que são buñuelos bolivianos? São discos de massa levedada frita, de formato irregular e com um furo no meio, dourados por fora e macios por dentro, servidos banhados numa calda escura de açúcar de cana com especiarias. Na Bolívia, acompanham o api nas manhãs frias e aparecem nas festas.

Qual a diferença entre buñuelo e bolinho de chuva? O buñuelo usa fermento biológico, passa por fermentação e é aberto com as mãos em disco fino; o bolinho de chuva, primo brasileiro, leva fermento químico e vai à panela em colheradas redondas, sem descanso. Um é achatado e banhado em calda; o outro, redondo e passado no açúcar com canela.

O que é chancaca e o que usar no lugar? Chancaca é o açúcar de cana em bloco que dá origem à calda original, raro no Brasil. A adaptação honesta é rapadura derretida com cravo e canela — ou açúcar mascavo, que fica um degrau mais suave na cor e no caramelo.

Posso assar em vez de fritar? Não com o mesmo resultado. A fritura em óleo quente é o que infla as bolhas e cria a casquinha característica; no forno, a mesma massa vira um pãozinho achatado — bom, mas outra receita.

Com o que servir os buñuelos? A dupla histórica é com o api, o mingau violeta de milho das manhãs bolivianas. Sem api, funcionam com café, chocolate quente ou chá.

Dá para preparar a massa na véspera? Sim. Depois da sova, cubra a tigela e leve à geladeira, onde a massa cresce devagar durante a noite. No dia seguinte, deixe voltar à temperatura ambiente por 30 minutos antes de modelar e fritar.

O segredo da calda que perfuma a cozinha inteira mora nas especiarias: o Cravo-da-Índia Flor da Granuz solta seu aroma intenso na fervura, e quem prefere praticidade substitui o pau de canela pela Canela em Pó Granuz, acrescentada no minuto final do fogo. Massa no ponto, óleo quente e calda escura: a manhã fria boliviana, servida na sua mesa.

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