Foto apetitosa de tutu de feijão em destaque, ilustrando a receita apresentada no blog Granuz

Tutu de Feijão Mineiro: O Feijão Batido que Vira Veludo

Tempo de leitura: 8 minutos.

Tutu de feijão é o feijão mineiro em estado de veludo: caldo e grãos batidos, engrossados com farinha de mandioca em chuva fina até virar um creme espesso que "escreve" na panela. É primo do tropeiro, mas de personalidade oposta: no tropeiro, o grão fica inteiro e a farinha envolve; no tutu, tudo se une numa só cremosidade. Com couve refogada, torresmo, linguiça e ovo frito por cima, é um dos pratos mais completos que Minas já mandou para o resto do país.

E é receita de aproveitamento por vocação: o feijão de ontem, já temperado e cansado de ser acompanhamento, é exatamente o ponto de partida ideal.

Os três pilares do tutu

  • Feijão bem temperado: carioca ou preto, cozido com louro e refogado com alho. Tutu de feijão sem graça é só mingau marrom: o tempero vem ANTES de bater.
  • A farinha em CHUVA: farinha de mandioca crua polvilhada aos poucos com uma mão enquanto a outra mexe sem parar. Farinha despejada de uma vez empelota, e pelota de farinha não se desfaz mais.
  • O ponto que escreve: o tutu certo é um creme grosso em que a colher deixa rastro visível no fundo da panela por um segundo. Mais líquido, é caldo engrossado; mais seco, vira massa de peso.

A receita (rende 4 pratos mineiros)

  • 1. Base: 3 xícaras de feijão cozido com caldo (o de ontem serve com honra). Bata no liquidificador com o próprio caldo até ficar liso.
  • 2. O refogado de fritura: na panela larga, doure 100 g de bacon em cubos; na gordura, refogue 4 dentes de alho picados e 1 colher de sopa de tempero para feijão.
  • 3. O feijão batido entra no refogado e levanta fervura em fogo médio.
  • 4. A chuva de farinha: meia xícara a 1 xícara de farinha de mandioca crua, polvilhada aos poucos, mexendo SEMPRE, até o ponto que escreve. Pare de pôr farinha antes do que parece: o tutu engrossa mais 1 grau ao descansar.
  • 5. Prove o sal e finalize com cebolinha e alho frito em flocos por cima: o crocante que o veludo pede.

A corte mineira (o prato completo)

  • Couve em tirinhas refogada no alho, verde e crocante.
  • Ovo frito de gema mole, coroando o prato: furar a gema sobre o tutu é rito, não opção.
  • Torresmo ou linguiça assada, a proteína de fritura que Minas não dispensa.
  • Arroz branco soltinho, porque tutu é acompanhamento de status duplo: acompanha e protagoniza ao mesmo tempo.
  • Molho de pimenta ou conserva à mesa, para acender quem quiser.

Os erros que empelotam

  • Farinha de uma vez: o erro clássico e irreversível. Chuva fina, mão dupla, paciência.
  • Bater o feijão frio e não ferver antes da farinha: a farinha crua precisa do calor para cozinhar; sem fervura, o tutu fica com gosto de farinha crua.
  • Exagerar na farinha: o tutu firme demais vira pirão de tijolo ao esfriar. O ponto que escreve é o teto.
  • Feijão sem tempero: bater não conserta feijão insosso, só espalha a falta de sal por igual.
  • Deixar no fogo depois do ponto: o fundo pega em 2 minutos de distração. Chegou, desligou.

Perguntas frequentes sobre tutu de feijão

Tutu e tropeiro são o mesmo prato? Não, e Minas leva a diferença a sério: tutu é batido e cremoso; tropeiro é grão inteiro envolvido na farinha com ovo e torresmo. Primos de mesa, personalidades opostas.

Feijão preto ou carioca? Os dois têm torcida: o carioca dá tutu dourado clássico de Minas; o preto, versão mais encorpada comum em São Paulo (onde vira o coração do virado à paulista). A técnica não muda.

Farinha de mandioca ou de milho? Mandioca é o padrão mineiro. A de milho (fubá mimoso não: farinha de milho flocada moída) dá versão mais doce usada em algumas casas. Começe pela mandioca crua e fina.

Posso fazer com feijão de lata? Em dia corrido, sim: escorra parcialmente, reforçe o refogado de alho e bacon, e o tutu sai digno. O de panela de casa segue imbatível de sabor.

Congela? Congela bem por 2 meses, e engrossa ao voltar: requente com uma concha de água ou caldo, mexendo, e ele volta ao veludo. O ovo e a couve, sempre frescos na hora.

Sobrou tutu, e agora? No dia seguinte ele vira o recheio de um virado rápido, base de caldinho afinado com caldo quente, ou o acompanhamento de um bife na chapa. Tutu não sabe morrer.

No próximo feijão que sobrar, bata com o caldo, doure o bacon e faça a chuva de farinha com as duas mãos trabalhando: quando a colher escrever no fundo da panela e o ovo frito escorrer por cima da primeira concha, Minas Gerais inteira vai assinar embaixo do seu almoço.

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