Manakish: a Pizza Verde-Oliva do Café da Manhã Libanês

Tempo de leitura: 6 minutos.

Em Beirute, o dia abre antes do sol: os fornos das padarias de bairro já rugem quando o primeiro cliente chega, e o cheiro que atravessa a rua é inconfundível — zaatar aquecendo em azeite sobre massa recém-aberta. O padeiro estica o disco com as pontas dos dedos, espalha a pasta verde-oliva num gesto circular e enfia a pá no forno. Poucos minutos depois, o disco sai borbulhando nas bordas, e alguém já o dobra ao meio ainda na calçada.

Essa cena cabe na sua cozinha. Com uma massa de seis ingredientes, uma cobertura de dois e o forno doméstico no máximo, você tira oito discos dourados e macios numa manhã de sábado — a versão de zaatar, a de queijo, ou metade e metade, como pedem os fregueses das padarias libanesas.

Os ingredientes

  • 500 g de farinha de trigo (para a massa)
  • 300 ml de água morna
  • 10 g de fermento biológico seco (1 sachê)
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva para a massa + 8 colheres de sopa para a pasta da cobertura
  • 6 colheres de sopa de zaatar — a mistura pronta se acha em empórios árabes e lojas online de temperos importados; ou monte a sua em casa seguindo o guia do zaatar
  • Opcional, para a versão com queijo: 200 g de queijo em cubos pequenos ou ralado grosso (o tradicional é o akkawi, raro no Brasil; muçarela ou queijo minas padrão meia cura são as substituições honestas por aqui)

O passo a passo

  1. Acorde o fermento. Misture a água morna, o açúcar e o fermento numa tigela pequena e espere 10 minutos, até formar uma espuma na superfície. Se não espumar, o fermento morreu: troque antes de seguir.
  2. Sove a massa. Junte a farinha, o sal e as 3 colheres de azeite à mistura espumada e sove por 8 a 10 minutos, até a massa ficar lisa, elástica e desgrudar das mãos.
  3. Deixe crescer. Cubra a tigela com um pano úmido e deixe descansar em lugar abafado por 1 hora a 1 hora e meia, até dobrar de volume.
  4. Divida, boleie e preaqueça. Divida a massa em 8 porções de uns 100 g, boleie cada uma e deixe descansar mais 15 minutos sob o pano. Enquanto isso, leve a assadeira vazia ao forno e preaqueça na temperatura máxima que o seu alcançar, 250 °C se possível.
  5. Prepare a pasta. Misture o zaatar com as 8 colheres de azeite até obter consistência de pesto: espessa, brilhante, mas espalhável. Se a sua mistura veio com gergelim cru, vale tostar antes — o porquê está em tostar é o interruptor do aroma do gergelim.
  6. Abra e marque os discos. Abra cada bolinha num disco de 15 a 18 cm, com meio centímetro de espessura, e pressione toda a superfície com as pontas dos dedos, criando covinhas. São elas que seguram a cobertura no lugar.
  7. Cubra e asse. Espalhe 1 colher generosa de pasta por disco — ou o queijo, na versão com queijo — deixando um dedo de borda livre. Asse sobre a assadeira já quente por 7 a 9 minutos, até as bordas dourarem e a massa formar bolhas.
  8. Sirva na hora. Manakish se come quente, dobrado ao meio como um meio sanduíche, com chá preto, tomate, pepino, hortelã e azeitonas na mesa.

Os 5 erros que deixam o manakish duro e amargo

  • Forno morno. A 180 °C a massa passa vinte minutos secando antes de dourar e sai rígida como bolacha. Manakish pede choque de calor: temperatura máxima, assadeira preaquecida dentro do forno por 30 minutos, e o disco deslizando sobre ela já quente.
  • Zaatar seco, sem azeite suficiente. Cobertura farelenta queima nos primeiros minutos e amarga o disco inteiro. A referência segura é mais azeite do que zaatar em volume: pasta que brilha, nunca areia verde.
  • Pular as covinhas. Sem a marcação dos dedos, o disco estufa no forno como um balão e a pasta escorrega para a assadeira. Pressione firme, quase tocando o fundo da massa.
  • Água quente demais no fermento. Água que escalda mata o fermento em silêncio, e você só descobre uma hora depois, diante de uma massa parada. A água certa é morna: o dedo mergulha sem susto.
  • Assar demais “só para garantir”. Passados os 9 minutos, o disco fino desidrata e vira torrada — e torrada não dobra ao meio. Bordas douradas e centro macio: tire do forno.

Perguntas rápidas

O que é manakish? É um pão achatado árabe, coberto com pasta de zaatar e azeite — ou com queijo — e assado em forno bem quente, clássico do café da manhã no Líbano, na Síria, na Jordânia e na Palestina. A comparação com pizza é inevitável, mas a hora é outra: manakish se compra na padaria a caminho do trabalho, logo cedo. “Manakish”, aliás, é o plural em árabe; um disco sozinho se chama man’oushe.

Onde encontro zaatar no Brasil? A mistura pronta aparece em empórios árabes e em lojas online de temperos importados — não é item de supermercado comum. Também dá para montar a sua versão em casa com ingredientes mais fáceis de achar; o caminho completo está no guia do zaatar citado ali na lista de ingredientes.

Qual a diferença entre manakish e pão sírio? A massa é parente próxima, mas o destino muda tudo: o pão sírio assa liso e estufa inteiro, formando o bolso; o manakish recebe cobertura e covinhas justamente para não estufar. Se quiser dominar a massa base primeiro, comece pela nossa receita de pão sírio caseiro.

Posso fazer manakish com queijo? Pode, e é uma versão tão tradicional quanto a de zaatar. O queijo clássico é o akkawi, difícil de encontrar por aqui; muçarela ou queijo minas padrão meia cura, puros ou misturados, chegam perto da textura que derrete sem soltar muita água. Metade zaatar, metade queijo no mesmo disco também é pedido comum nas padarias libanesas.

Manakish se come quente ou frio? O auge é quente, a minutos do forno, dobrado ao meio. Mas frio também tem tradição: é presença constante em lancheiras e piqueniques por todo o Levante, e a pasta de zaatar segura bem o sabor mesmo em temperatura ambiente.

Dá para assar manakish sem forno? Dá: uma frigideira de fundo grosso, preaquecida em fogo alto e tampada, assa o disco em 4 a 6 minutos. Curiosamente, é o método que mais lembra o saj, a chapa abaulada em que o manakish é assado nas ruas do Líbano.

Se a ideia é montar o seu próprio zaatar em vez de esperar a encomenda do empório, comece pela base da versão caseira: o Orégano Peruano da Granuz entra no lugar das ervas secas da mistura original. Forno no máximo, pasta verde-oliva brilhando sobre a massa — e a sua cozinha amanhece falando árabe.

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