Como Usar Colorau (Colorífico) Para Dar Cor à Comida

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Para dar cor à comida com colorau, dissolva uma colher de chá em um fio de óleo ou na gordura quente do refogado antes de juntar os demais ingredientes. Esse passo simples faz o pigmento se soltar e tingir o prato inteiro de um alaranjado bonito, sem deixar gosto forte. O colorau, também chamado de colorífico, é uma mistura de urucum em pó (corante natural extraído da semente de Bixa orellana) com fubá ou farinha de milho, e é o tempero que dá àquela galinhada da vó a cor de comida feita com carinho.

Quem cozinha sabe a diferença que a cor faz. Um arroz pálido e um arroz dourado têm o mesmo sabor, mas o segundo abre o apetite antes de a colher chegar à boca. O problema é que muita gente joga o colorau por cima do prato pronto e fica com aquele pó cru boiando, manchando a panela e sem espalhar a cor. Vou te mostrar o jeito certo, as proporções que funcionam e onde o colorau brilha de verdade.

Uma tigela rústica de cerâmica com colorau (colorífico) em pó e uma colher de madeira, cercada por sementes de urucum e espigas de milho secas, sobre uma bancada de madeira escura. Ao fundo, uma embalagem preta Granuz de colorau, levemente desfocada, completando a cena de ingredientes naturais.

O que é colorau e por que ele tinge a comida

Colorau é o nome popular do colorífico: urucum moído misturado com fubá. O que dá a cor é o urucum, rico em bixina e norbixina, pigmentos carotenoides lipossolúveis. Lipossolúvel quer dizer que ele se dissolve em gordura, não em água. É por isso que jogar colorau na água do arroz ou direto no prato seco quase não funciona: o pigmento precisa de óleo, manteiga ou da gordura da carne para se soltar e se espalhar.

Não confunda colorau com páprica nem com açafrão. A páprica é pimentão vermelho seco e moído, tem sabor próprio e um leve adocicado defumado. O açafrão verdadeiro (Crocus sativus) é caríssimo e tinge de amarelo-ouro. Já o que muita receita brasileira chama de açafrão é, na real, a cúrcuma (açafrão-da-terra), uma raiz amarela. O colorau é o mais neutro de sabor entre eles: a função dele é cor, não tempero protagonista. Por isso ele é tão usado no dia a dia, da galinhada ao pirão, sem roubar a cena dos outros temperos. Se quiser entender melhor as diferenças, vale conhecer também o colorífico (colorau) Granuz a granel, que vem com a proporção de urucum certa para tingir sem amargar.

Como usar colorau na comida do dia a dia

A regra de ouro é uma só: colorau entra na gordura, no começo, em fogo médio. Veja como fazer em cada situação.

No refogado (a base de quase tudo). Esquente o óleo, doure o alho e a cebola, abaixe o fogo e jogue o colorau. Mexa por dez ou quinze segundos, só até a cor desabrochar e perfumar. Aí entram o arroz, o feijão, a carne ou o que for. Esse é o segredo do arroz amarelinho de boteco e do feijão que parece mais encorpado.

Na carne, frango e peixe. Misture o colorau na marinada, junto com sal, alho e um fio de óleo. Deixe pegar gosto por trinta minutos. Na hora de selar, a cor já está agarrada na proteína e doura junto. Para frango assado, esfregue a mistura por baixo da pele.

Em molhos, sopas e caldos. Como já tem gordura no preparo, é só polvilhar e mexer. Em um estrogonofe, uma pitada deixa o molho com cor de capa de revista. Num caldo de mandioca, ele dá aquele tom de cozinha de interior.

Para empanados e farofas. Misture o colorau na farinha de rosca ou na farofa antes de tostar. A própria gordura da fritura ou da manteiga libera a cor por igual.

Se você cozinha bastante e usa colorau quase todo dia, comprar a granel sai muito mais em conta e você pega só a quantidade que vai girar, sem aquele potinho de supermercado endurecendo no armário. Dá uma olhada na seção de temperos para a cozinha do dia a dia para montar sua despensa.

Proporções que funcionam (sem chutar)

Colorau é generoso na cor e discreto no sabor, então é difícil errar para mais a ponto de estragar. Ainda assim, medida ajuda:

Arroz (3 xícaras cozido): 1 colher de chá rasa no refogado. Feijão (1 panela de pressão): 1 a 2 colheres de chá. Frango (1 kg): 1 colher de sopa na marinada. Farofa (2 xícaras de farinha): 1 colher de chá. Molho ou sopa (4 porções): meia a 1 colher de chá.

Comece com menos. A cor aparece rápido e você sempre pode reforçar. O sinal de que passou do ponto não é o sabor (ele continua suave), e sim um leve amargor de fubá cru quando você exagera muito ou não cozinha o colorau na gordura. Por isso ele precisa daqueles segundos no óleo quente.

Os erros mais comuns com colorau

Jogar por cima do prato pronto. O pó fica cru, boiando, com textura arenosa. Sempre cozinhe na gordura.

Usar em fogo alto demais. Urucum queima rápido e queimado vira amargo e marrom em vez de alaranjado. Fogo médio para baixo, mexendo.

Confundir cor com tempero. Colorau não salga nem apimenta. Se a comida está sem graça, falta sal, alho, pimenta ou ervas, não mais colorau. Para temperar de verdade, combine com alho, cebola, louro e pimenta-do-reino. Um bom sal rosa do Himalaia fino fecha o tempero do refogado sem competir com a cor.

Guardar perto do fogão. Calor e luz desbotam o pigmento. Mantenha em pote fechado, em lugar fresco e escuro. Colorau velho perde força de cor primeiro.

Colorau é saudável? E faz bem?

O colorau é um corante natural, diferente dos corantes artificiais de cor amarela e vermelha usados em ultraprocessados. O urucum tradicionalmente é valorizado por conter carotenoides com ação antioxidante, e tinge a comida sem aditivos sintéticos. Dito de forma honesta: a quantidade que você usa para colorir um prato é pequena, então ninguém deve esperar um efeito nutricional relevante só por causa do colorau. O ganho real é trocar corante artificial por corante de planta no seu dia a dia. Como tempero, ele é uma escolha limpa e barata para deixar a comida com cara de comida boa.

Receita rápida: arroz amarelo de boteco

Refogue 1 dente de alho picado em 1 colher de sopa de óleo. Quando dourar, abaixe o fogo e junte 1 colher de chá de colorau, mexendo por dez segundos. Adicione 1 xícara de arroz lavado, mexa para envolver, salgue e cubra com 2 xícaras de água quente. Cozinhe tampado em fogo baixo até secar. O resultado é aquele arroz soltinho e dourado que combina com tudo, do bife ao ovo frito.

Para um toque a mais, finalize com cheiro-verde fresco. E se quiser variar a cozinha de casa ao longo da semana, os temperos a granel rendem muito mais por real do que os potinhos prontos.

Perguntas frequentes

Colorau e colorífico são a mesma coisa? Sim. São dois nomes para o mesmo produto: urucum em pó misturado com fubá. A palavra muda de região para região do Brasil.

Qual a diferença entre colorau e urucum puro? O urucum puro é só a semente moída, com cor concentrada e um leve sabor terroso. O colorau é o urucum diluído em fubá, mais barato e mais suave, feito para o uso diário sem pesar no sabor.

Posso usar colorau no lugar da páprica? Para cor, sim. Para sabor, não. A páprica tem gosto defumado e adocicado que o colorau não tem. Se a receita quer aquele sabor, use páprica; se quer só a cor alaranjada, o colorau resolve e custa menos.

Colorau mancha a panela e a roupa? Pode manchar plástico e madeira porque o pigmento é forte e oleoso. Em panela, dilua sempre na gordura para ele se espalhar em vez de grudar. Mancha em roupa sai melhor com sabão de coco antes de molhar com água.

Quanto colorau usar para não amargar? Comece com 1 colher de chá por porção média e sempre cozinhe na gordura por alguns segundos. O amargor aparece quando o pó fica cru ou queima em fogo alto, não pela quantidade em si.

Colorau tem glúten? O colorau tradicional leva fubá ou farinha de milho, que não tem glúten. Mas confira o rótulo, porque algumas marcas industriais misturam outros amidos. A versão a granel costuma ser só urucum e fubá.

Dá para usar colorau em receita doce? Não é comum. O colorau é de uso salgado. Para cor em doces, o caminho são corantes naturais como beterraba, açafrão-da-terra ou o próprio urucum em produtos específicos.

No fim das contas, colorau é um daqueles ingredientes humildes que separam a comida caseira de respeito da comida apressada. Custa pouco, rende muito e transforma a aparência do prato com um gesto só. Guarde a regra na ponta da língua: na gordura, no começo, em fogo médio. O resto a panela ensina.

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